DiÁcono SimÃo Pedro

Sobre Madre Querubina
 
 

 

Sobre Madre Querubina

Varias vezes ela falou seu nome, mas, nunca guardei, pois para nós do grupo de jovens do bairro dos oliveira ela era e sempre será MADRE QUERUBINA, eu naquela época tinha lá meus 17 anos, ela bem que tentava explicar a diferença entre religiosa, irmã e madre, de nada adiantava ao final da explicação... ``brigado madre Querubina´´.

Lembro dela com carinho, era séria sem deixar de ser divertida, enérgica sem ser ríspida, humilde, porém com convicções firmes, exercia sua autoridade sem desmerecer os demais.

Chamava a minha atenção o fato de ela sendo uma religiosa, sempre se ocupou dos trabalhos mais humildes, na santa casa ela trabalhava na lavanderia do hospital, nas festas de nossa Senhora de Fátima trabalhava na cozinha, alias foi ela que me ensinou como depenar patos e rechear cabeça de leitoa, tinha uma horta sob seus cuidados, além do serviço de jardinagem e o serviço litúrgico do Santuário costumávamos dizer que para descansar a Madre Querubina carregava pedras. E por falar nisso vai aqui uma da Madre, certa vez eu e seu Joaquim irmão mais novo dela que naquela época já era velho estávamos carpindo em volta do Santuário, como o sol estava quente e nós com preguiça, paramos para conversar apoiando o peito no cabo da enxada, de repente a madre apareceu não sei de onde e seu Joaquim falou``disfarça La vem a madre..´´, não deu tempo  ela chegou e disparou...`` estão dando de mamar para o cabo da enxada ! abriu um sorriso e foi embora e com ela levou a nossa preguiça.

Ela usava uma sandália tipo franciscana deixando a mostra seus calcanhares rachados como se fora uma das mulheres da roça.Faço memória também de uma via sacra que fizemos, junto a uma colônia de plantadores de tomate que se instalaram no bairro dos oliveiras,  com os rezadores ajudando a carregar as imagens de Nossa Senhora das Dores e de Jesus Crucificado, lá estava Madre Querubina de palhoça em palhoça cantando `` pela virgem dolorosa...´´.

Outro sim da Madre era a catequese dos adultos, ela se preocupava que nós jovens estudássemos a bíblia e o catecismo, emprestava livros da vida  de santos e constantemente nos aconselhava  a voltar à escola e fazer o supletivo, particularmente eu recebi um incentivo maior, pois foi graças a sua intervenção pessoal que fui apresentado  para trabalhar na Santa Casa  de Misericórdia de Tatuí e, as pessoas que me ajudaram com uma bolsa de estudos.       

E antes que eu me esqueça ela tinha um grande zelo pelas vocações, em orar pelos sacerdotes, para o anjo da guarda e pelas almas do purgatório., alias sempre me encantava as histórias de anjos que ela contava.

No  Santuário  todos trabalhavam, todos comiam, bebiam e nada faltava, era exemplar a generosidade da madre e do seu irmão Salvador Nunes ou melhor como era conhecido ele e sua esposa simplesmente Vadô Nunes e dona Dita.

Com certeza a Madre Querubina teve lá seus defeitos e seu pecados como todo ser Humano, mas quero fazer memória somente de suas qualidades e de suas virtudes que ela viveu plenamente como poucos seres humanos, pois somente aqueles e aquelas que são iluminados pela graça de Deus podem  esconder toda a dureza da vida na sombra de um sorriso.

                                                                             Diácono Simão Pedro Rodrigues

 Tatuí 14/02/13